Se você está pegando o bonde andando, recomendo que leia o primeiro artigo desta sequência aqui, assim você não fica perdido e aproveita todo o conteúdo.

 Ao final deste artigo você saberá:

  • Como aproveitar ao máximo o seu hardware;
  • O que são gerenciadores de janelas;
  • Como escrever um pequeno código de programação em menos de 1 minuto;
  • Como se manter sedento por conhecimento.

Nesta segunda e última parte deste artigo, falarei de motivos mais do que bons para utilizar Linux em seu Desktop.

Se você já é usuário de Linux já deve saber que ser usuário de Linux já o diferencia da maioria das pessoas. Geralmente as pessoas que utilizam Linux tem sede de conhecimento, são inquietos, querem experimentar o novo e não conhecem a frase “não dá pra fazer”. Algumas coisas não dão para fazer hoje, mas amanhã quem sabe…vou te contar um pouco sobre isso ainda neste artigo.

Vamos aos motivos…

 6. Várias distribuições, um kernel

Ao mesmo tempo que isso é um bom motivo, também pode ser considerado por alguns como um entrave para quem quer começar a usar Linux. O motivo é simples, tem muitas opções e quando tem muitas opções o “cliente” fica confuso.

Uma distribuição Linux é como se fosse o Linux com a careta e personalização de alguém, literalmente um “sabor” diferente de Linux.

As distribuições não são necessariamente “versões” diferentes do Linux, pois todas carregam algo em comum, o Kernel. O kernel é o centro do sistema, é o que faz tudo funcionar, é a linguagem que conversa com o hardware e os softwares. Tudo que vem por cima do kernel (gerenciadores de janelas, programas, etc) são acessórios do Linux, pois o Linux é o Kernel.

Eu considero um bom motivo ter várias distribuições, pois você pode escolher a que mais gosta e se não gostar, pula para outra e assim por diante. As 5 mais usadas atualmente no mundo são:

  • Mint
  • Ubuntu
  • Debian
  • Mageia
  • Fedora

Eu uso o Caixa Mágica, que não está entre os 5 primeiros da lista mas que é derivada do segundo colocado, o Ubuntu.

A vantagem de se utilizar uma distribuição bem conhecida, é que ela estará mais atualizada para novos hardwares e te digo, é muito decepcionante quando você compra um hardware muito novo que ainda não funciona no Linux ou funciona com restrições.

7.  Recursos de Hardware

A indústria da computação não para de lançar novos processadores e microchips para atender a demanda infinita por mais recursos de hardware, e tudo indica que isso nunca vai parar. Você já percebeu que a cada nova versão do Windows os pré-requisitos de hardware aumentam? Lembra-se de quando o pré-requisito para rodar o Windows 95 era um processador Intel Pentium 133 Mhz com 256MB de memória RAM e 2GB de espaço em disco? Se você tentar instalar a última versão do Windows em um hardware como este muito provavelmente o instalador nem permita avançar.

E se eu te disser que você pode fazer download da última versão da sua distribuição Linux preferida e instalar e um hardware como esse vai funcionar e funcionar a contento, você acredita?

Não existe nenhum truque nesta frase, a grande diferença do Linux para o Windows neste quesito, é que o Linux não tem obrigação de gerar necessidade de mais hardware para o mercado para abastecer os bolsos de grandes companhias de hardware. Você pode aproveitar hardwares hoje considerados obsoletos para instalar Linux, como fazem muitos telecentros e centros de convivência para aproveitar hardwares doados como sucata. Veja este projeto do Banco do Brasil – http://www.redetelecentro.com.br/portal/

O que eu quero deixar claro neste ponto, é que o Linux não demanda de muitos recursos de hardware para funcionar e isso significa que um novo hardware vai funcionar além das expectativas do utilizador, pois será utilizado ao máximo. Faça o teste você mesmo!

8. Gerenciadores de Janelas

Da mesma forma que existem diversas distribuições Linux, também existem diversos gerenciadores de janelas para o Linux. Lembra que eu falei que o Linux é o Kernel? Então…por cima do Linux é necessário existir um gerenciador que controle a exibição das janelas gráficas. As vezes este gerenciador é chamado também de ambiente gráfico do Linux.

Este gerenciador vai controlar o design das janelas (formato, cores, ações, ponteiro do mouse, etc) e oferecer barras e menus de acesso.

Entre os mais conhecidos estão:

  • Gnome
  • KDE
  • Window Maker
  • Enlightenment
  • Fluxbox

A lista é grande. Novamente acho que ter mais de um gerenciador de janelas é bacana, assim você escolhe a que mais gostar e que mais se encaixar às suas necessidades.

9. Ambiente nativo para programadores

Se você nunca escreveu uma linha de programação em sua vida, saiba que no Linux você pode dar os primeiros passos e sem muito conhecimento, de verdade.

O Linux é um sistema operacional próprio para programadores. Não acredita? Então abra o terminal do Linux e escreva isso no console e tecle enter:

for ((i=0; i <= 10;i++)) ; do echo $i ; done

Você acaba de escrever a sua primeira linha de programação utilizando a linguagem de scripts nativa do Linux, o Bash.

Perceba que não foi necessário abrir nenhum programa para escrever o seu código, você pode programar direto no terminal. Por isso eu disse que o terminal é que faz toda a diferença no Linux.

Quer aprender a programar? Então eu lhe convido a utilizar Linux em seu Desktop.

10. Compatibilidade de hardware

Como eu disse um pouco mais acima, pode ser extremamente decepcionante comprar um hardware novo e descobrir que o Linux não tem um driver para ele ou que o suporte é meio capenga ainda. Então como isso pode ser um bom motivo para utilizar o Linux?

Se você é daquelas pessoas que quando criança gostava de desmontar rádios velhos só para ver como era por dentro e depois montá-los novamente, então o Linux é o sistema operacional ideal para você.
Você já ouviu a frase  “aonde muitos enxergam problemas alguns enxergam oportunidades.”?  Pois é, deixa eu te contar uma pequena história que aconteceu recentemente comigo.

Como eu te disse na primeira parte deste artigo, recentemente eu comprei um laptop novo, um  DELL Vostro 5470 e para a minha decepção, algumas coisas não funcionaram bem no Linux. O botão direito do touchpad (mouse) não funcionava (básico não?), o driver de vídeo apresentava alguns erros estranhos como o ponteiro do mouse desaparecendo e uma única resolução de tela e por aí vai.

Já fazia um bom tempo que eu usava o meu laptop anterior, um DELL Inspiron que durou 5 anos e desde o início não tive nenhum problema de compatibilidade de hardware, ou seja, eu estava meio enferrujado para mexer com problemas de compatibilidade de hardware, mas como eu não desisto fácil e sou usuário Linux, aceitei o desafio de colocar tudo para funcionar no meu Vostro 5470 e depois de uma semana, eu consegui.

Eu vou escrever um artigo detalhando o passo-a-passo para você que também está pastando para colocar o Linux funcionando perfeitamente neste modelo de laptop, mas por hora e para a finalidade deste artigo, vou apenas te adiantar que me senti vivo novamente aceitando este desafio. Foi a oportunidade que eu precisava para desenferrujar o meu senso de pesquisa (modeset FUÇADOR=ON) e testar a minha capacidade de resolução de problemas.

Se você é daquelas pessoas que quando criança gostava de desmontar rádios velhos só para ver como era por dentro e depois montá-los novamente, então o Linux é o sistema operacional ideal para você.

Finalizo este artigo utilizando uma frase do Steve Jobs dita em seu famoso discurso na Universidade Stanford, pois tem tudo a ver com este artigo.

Stay Hungry, Stay Foolish!

Deixe seus comentários abaixo e até a próxima!

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